Os 7 dias do fim do ano

Pela primeira vez na história que conhecemos, é Natal e está nevando em todo o Brasil. Isso é até hoje inacreditável. As pessoas festejam, tentam construir bonecos neve, se divertem mesmo depois da tragédia. Eu fico feliz de pelo menos ver que minha família está bem. É o meu conforto observa-los. Entretanto, logo a fartura ira acabar, não será mais possível plantar, os animais não vão mais respirar e as hidrelétricas pararão de funcionar. Ainda vivem no dia 25.

Estão cansados, mas relaxados. Estão fartos, mas famintos. Estão felizes, mas ao acordar sucumbem a dor da glacial realidade. As lágrimas começam a cair ao dia 26.

Não é apenas eu que estou aqui a observar. Depois deles, nossos joelhos fingem encontrar o solo e nossas mãos fingem socar a neve. Nossas mentes quebradas buscam entender o que iremos fazer, mesmo já sendo uma amante da resposta. As lágrimas começam a cair sem deixar marcas no dia 27.

As cabeças confusas começam a tentar apenas pensar na paz, uma que não tenha branco. Todos apenas tentam no dia 28.

Todos os planetas ominosos nascidos das mais execráveis usurpadoras possibilidades orbitam a massa cefálica de todos os presentes. É insuportável. É impossível controlar-se em desprezível situação. A dor torna-se uma mera especiaria no dia 29.

A notícia se espalha como dentes de leão ao vento. O rei morrera e o assassino herdara a coroa. Todos os súditos gritam:” Saúdam o novo rei, o mais bravo de todos os tempos. Saúdam o rei que nos trará a glória.” Um sorriso malevolente surge na face do medo, que com sua coroa sobre seus supostos cabelos, observa a multidão que agora é dominada por ele, seguro em sua majestosa e imponente sacada. Os escravos indefesos trocam de dono no dia 30.

O Fim chega e não há escapatória. Todos estão ali e devem encarar o que está por vir. Chorar ou qualquer outra ação impotente não irá ajudar. Por isso, novamente irão festejar. A sua maneira pois nem flores há para Iemanjá. A paz vencida pousa temporariamente no local. Já contam nos dedos os minutos para o final. 23 horas, 59 minutos e 59 segundos. Este é um momento único, onde fica cristalino o caldeirão fervente de emoções de cada um. Os fogos restantes são acesos com a passada do um segundo. A explosão é um contraste que 99% dos admiradores nunca viram antes. A explosão é um som que atormenta a minha alma. A inquietude me possui. Todo o sofrimento bate a minha porta. Aquele tempo inacabável me separando da vida e da morte, enquanto escutava o som da onda de choque. Debaixo daquela escola. Onde a morte nem deu espaço para o nosso sangue. O desconhecimento toma conta. O futuro toma conta. A interrogação toma conta do dia 31.

E do dia 1?

Arthur Laio

 

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1 comentário

  1. Thomas Magno · dezembro 27, 2014

    Arthur, não sei exatamente o quanto vc está nervoso, mas (por uma uqestão de bom senso) quero devolvê-lo um objeto. A HQ do Lux Tenebris ficou aqui. Fala comigo por e-mail para negociar onde e quando posso devolvê-lo, uma vez que já ficou impossível contatá-lo pelo facebook. “Meramente isso e nada mais”.

    Curtir

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